Música: Nenhum gênero tem mais preconceito que o metal

Show

Eu estava pensando essa semana em como nós headbangers somos sortudos. Temos shows de qualidade o ano todo, em casas de bom porte. Não há outro gênero no Brasil com tanta regularidade como o metal, estamos sempre lá, marcando uma presença considerável se houver como. Temos um mercado fiel, pois apesar de todo mundo baixar da internet (tem quem não faça?), sempre buscamos comprar CDs das bandas que gostamos, mesmo que sejam de difícil acesso. Por curtir um tipo de música que não é tão fácil de ouvir, geralmente temos maiores chances de gostar de coisas mais interessantes do que a grande massa. E ainda assim, somos um lado alternativo da sociedade, um lado estranho que poucos querem saber. E a culpa é da mídia, da nossa cultura que tantos acusam de ser pobre?

Pra mim, o maior problema do metaleiro (headbanger, tanto faz, frescura) é que a maioria é extremamente babaca. Se sente melhor que as outras pessoas. De exibir seu “conhecimento”. De querer taxar os outros de uma coisa ou outra. Poderia ajudar um “poser” que não muito conhecimento guiando a pessoa em um território que se demora muito pra entender, mas não, só sabe julgar, ofender e reclamar. O pior de tudo é querer criar regras em um estilo que preza pela liberdade. Headbanger “true” só fica de “visu”, só escuta Thrash/Death e não escuta nada que faz sucesso, porque tem síndrome de underground. Não consigo classificar o nível de babaquisse disso. As vezes acho que ser chamado de true deve ser mais ofensivo do que poser. Por que ao invés de passar o dia falando mal de Slipknot e Avenged Sevenfold, não vão tentar buscar coisas legais pra ouvir, pra crescer ainda mais seu conhecimento e apreciar mais esse lado da arte? Eu, por exemplo, acho o metalcore um gênero fraco, mas não fico julgando quem escuta, cada um tem seu gosto. Cada um tem sua liberdade.

Sinceramente, estou pouco me fudendo para o que os outros acham do que estou ouvindo. Eu escuto uma hora Opeth, escuto Rick Astley depois, vou ouvir Thin Lizzy, Mozart, Pantera, Christina Aguilera e Alcest depois. Eu posso escutar música eletrônica, pop, pagode (Molejão heuhehueuhe), jazz, blues, country, R&B, clássica, trilha sonora, o que diabos eu quiser, é gosto da pessoa e deveria ser respeitado. Eu escuto muitas coisas, mas quase tudo é rock e metal, pois são o que realmente amo, mas por escutar outras coisas, não me fazem menos “headbanger”. Para mim, se nos respeitássemos e tivéssemos menos preconceitos uns com os outros, sendo menos babacas, tudo seria melhor. Se fossemos unidos, nada iria nos derrubar, pois somos apaixonados e fiéis ao que gostamos. E uma força assim não poderia ser ignorada por qualquer sociedade que fosse.