Wrestling: Não se fazem Faces como antigamente

Antigamente, existia uma religião que dizia que havia um deus do bem e um deus do mal. Hoje na religião mais predominante (o cristianismo), essa ideia se mantém, só que o mal deixou de ser deus mas continua com uma imagem perigosa. Com essas separações os humanos começaram a dividir as pessoas entre boas e malignas também, como os trabalhadores e os crimonosos (caso extremo). Nas histórias, tudo sempre se encaminhou para que através de obstáculos, o bem superasse o mal através das dificuldades. Até hoje, é difícil alguma história não ser escrita assim. Com esse pensamento, Vince deu seu primeiro grande passo para a WWF e trouxe gimmicks de forma impactante ao wrestling, separando os vilões (Heels) e os heróis (Faces), mas com destaque para o primeiro grande Face, Hulk Hogan.

Hulk Hogan

Hogan pode ter um dos maiores egos da história do wrestling, ser extremamente fraco no ringue, mas ainda assim, junto com Vince criou um personagem que marcou toda uma geração. Foi o primeiro herói, e assim Hogan garantiu seu status de lenda e até certo ponto intocável. Como foi o primeiro e algo novo, todo mundo o amava. Depois de ir para a WCW nos anos 90, a WWF ficou sem nenhum lutador como a “face da empresa”. Para mim, não há nada melhor do que isso, sem se prender a lutador nenhum. Nessa época, Bret Hart conseguiu ter um grande destaque como Face. Mas a WWE só voltou a ter um lutador que liderasse a empresa com a explosão de popularidade de Steve Austin. Stone Cold era diferenciado porque não era o Face comum que fazia tudo certo, pelo contrário, era um anti-herói, fazia as coisas do jeito que queria. Sua rivalidade com Vince, onde o espancava e humilhava várias vezes também dava prazer a quem assistia ao show e era frustrado em relação ao seus chefes, era um pequeno alívio. Marcou outra geração com os Faces mais divertidos, os “Badass”.
Stone Cold Stunner
Nessa época, tanto os Faces como os Heels eram intensos, e não havia um grande diferença entre eles (claro, não contando com a covardia típica dos Heels), tanto que facilmente um lutador era Tweener nessa época. Nessa época, todos os Faces tinham atitude agressiva e imponente, e ninguém se importava em ser o bom moço. Dessa época os que mais conseguiram se destacar nesse estilo foram Undertaker e principalmente The Rock, que utilizava muito do humor ácido para humilhar os outros. Chris Jericho, Kane e Kurt Angle também tiveram destaque nessa época, só que esses tinham turns facilmente. Com tantos lutadores no topo com essa características, o público foi conquistado. Afinal, é muito difícil de não gostar de badass, e isso facilmente explica o sucesso de personagens como Dante do Devil May Cry, Krator do God Of War, Wolverine do X-Man, Jack do Clube da Luta, Rambo, John McLane do Duro de Matar, entre outros.
Wolverine
Depois que The Rock saiu da WWE para correr atrás da sua carreira no cinema, o último grande badass dessa época saiu da empresa. Ainda havia Undertaker, mas não durou muito o seu personagem. Além disso, Taker quase sempre estava em feuds importantes mas dificilmente na principal, isso explica como ele foi Main Eventer quase toda a carreira e teve poucos títulos mundiais. Depois disso, o grande cara da WWE era Heel, Triple H, e isso durou bastante tempo. Brock Lesnar também teve grande destaque, mas também saiu da empresa. A WWE só voltou a ter Faces como destaque no Wrestlemania 21, quando Batista derrotou Triple H e John Cena derrotou JBL, com os dois liderando agora a empresa. Batista se deu bem porque conquistou o público sendo o típico Power-House Face, não precisando fazer uma grande mudança. Já John Cena, de queridinho do público, se tornou o que vemos hoje.
Wrestlemania 21
O personagem rapper de Cena, funcionava muito bem como Heel, mas é como Face que se destacou por como conquistava o público, ainda mais pra um lutador tão novo. Mas quando Cena se tornou campeão mundial, esse personagem foi ficando cada vez mais de lado e cada vez mais foi para essa gimmick de “respeito” de hoje em dia. De malandro, Cena se tornou o cara certinho que representava o país de forma indireta. Uma versão atual do Hulk Hogan. Só que a WWE cometeu o grave erro de além de colocar um personagem que não é muito atrativo para ele, forçou a clássica “Same Old Shit”, com Cena usando a mesma fórmula saturada, que já dura 8 anos! Pelo sucesso que ele tem, é óbvio que a WWE tem medo de perder o público fiel dele (e todo lucro que esse público traz), mas isso sacrifica a qualidade de tudo que ele esteja envolvido. Cena com liberdade pode entreter bem, mas dificilmente com os limites da PG Era. Sua promo no final da último RAW foi terrível, ele nunca soube ser engraçado, não dessa forma. A única coisa que ele faz nas promos ultimamente é gritar. John só serve pra fazer humor quando segue a linha do The Rock (bem inferior, mas sabe fazer). O pior é que essa “fórmula de John Cena” se fixou nos Faces da WWE.
John Cena promo
Se um John Cena nesse estado é ruim, imagina dois? Pois é, mas temos dois! Porque Sheamus é a versão irlandesa com a bunda branquela do John Cena. A diferença entre os dois é que Sheamus é um lutador bem melhor que Cena, tanto que ano passado teve ótimos combates, sem ser reconhecido por ter mérito nisso também. Só que o personagem Superman se mantém aqui, além de tentar fazer promos engraçadas a todo custo, só resultando em uma coisa: vergonha alheia. A WWE vem fazendo isso com todos os Faces, a cada Face-Turn, o cara se torna o mais novo comediante de Stand-Sp do Comedy Central. O menos forçados com isso foram The Miz e Randy Orton, por ambos ainda mantem aquela sensação de Heel aos seus lados. Miz pode se tornar até um Face interessante, se os bookers perceberem que ele só vai funcionar se continuar com o jeito debochado de antes. Se continuar no rumo que está agora, tem tudo para ser o próximo chato que vamos torcer para algum Heel credível derrote.
Sheamus kicksJá o caso de Orton é o mais complicado de todos para mim, porque o que fizeram com ele para mim é inacreditável. Orton sempre foi um dos melhores lutadores do roster, com destaque para como ele quase sempre acerta os golpes perfeitamente. Só que depois do seu Face Turn, ele teve uma enorme limitação no seu move-set, que se tornou praticamente apenas o seu “comeback” e o RKO. Lembra alguém, não? Ainda assim, Orton fez ótimas lutas como Face, mas o seu nível está muito abaixo do que ele pode fazer. Mas o pior não é apenas no ringue, e sim de uma gimmick que parece ter sida simplesmente esquecida, pois ele deveria se tornar o psicótico que todos amam, mas no final, só ficou como o cara que vai dar RKO do nada e que diz que ouve vozes, mas ele é legal até. E ainda tem as promos dele, que são complicadas de se assistir. “My name………is……..Randy…….Orton…..” Essa passividade dele vem desde que deixou de ser o Legend Killer e tornou o Viper (normal, por causa da gimmick de cobra humana, ou sei lá o que isso seja), mas como Face tem atingido um nível alto de chatisse. Ainda bem que seu Heel Turn está encaminhado, e em ser FDP, Orton tem mestrado.
My name is Randy Orton
Os outros dois Faces de destaque da empresa são Ryback e Alberto Del Rio. Ryback é assim como tantos, o típico Power-House que não tem condição de fazer uma promo. Só que esse se esconde atrás de uma catchphrase. Já Del Rio parece ser o único Face que interessa alguma coisa, por ter sido legal a forma como ganhou o título mundial, ganhando o público junto. Pelo menos até agora vai indo tudo bem com o seu novo personagem, mas só o tempo dirá se a WWE vai forçar ou não essa história de herói latino. Sendo assim, o único bom Face da WWE não está no Roster: The Rock. Rock pode estar visivelmente fora de forma nas promos, muito inferior ao que já foi e vem se mantendo em promos que buscam apenas o apoio do público, mas ainda assim, está bom. Pelo menos perto das outras opções, está ótimo. Afinal, The Rock pode fazer uma piada que parece que veio de uma criança de 10 anos, e ela realmente ser engraçada. The Rock tem imponência, atitude e presença, o que já o torna interessante. Mas é uma pena que as coisas estejam tão feias que uma lenda que retorna em forma duvidosa é muito mais interessante do que os Faces que a WWE vem produzindo. O jeito é se divertir com Kane e Daniel Bryan enquanto eles como Tweeners (pelo menos para mim), estão mais para o lado Face da balança. Não se fazem Faces como antigamente.

Música: Novo Single do Fozzy

Fozzy, banda de Heavy Metal liderada pelo WWE Superstar Chris Jericho lançará em breve seu novo álbum, intitulado Sin And Bones. O primeiro Single se chama Sandpaper e já está disponível. Eu gostei bastante do Single, boa música, mas torco que a banda tome um foco maior nesse CD. No último disco isso diminuiu, mas o Fozzy não é o tipo de banda que dê para se lembrar por uma sonoridade especial, é variada demais.

Música: Fozzy – All That Remains (2005)

Origem: Estados Unidos
Gênero: Heavy Metal, Metal Alternativo, Hard Rock
Gravadora: Ash

O Fozzy é uma banda muito talentosa e demonstrou isso com esse CD. A “cozinha” aqui é boa, o baixista Sean Delson não se destaca mas cumpre bem seu papel. Já o baterista Frank Fontsere se mostrou excelente. Os guitarristas são ótimos, principalmente Rich Ward, que fez excelentes melodias para o CD. Mas o destaque aqui sem dúvidas é Chris Jericho. O cara luta, dança, canta, é um verdadeiro entretenimento! E cantando é muito bem, tem uma ótima interpretação de cada música e uma voz única, além de escrever boas letras (ele escreveu as letras de todas as músicas do CD).

O CD começa com uma baita de um porrada: “Nameless Faceless”, a segunda mais pesada do disco. A música começa com algumas leves batidas e alguns acordes, até explodir a bateria de Frank Fontsere e junto com uma bela levada de Rich Ward e Mike Martin nas guitarras. Sem dúvida um início dificil fazer qualquer fã de Heavy Metal não “banguear”. Após alguns poucos segundos, entra Chris Jericho nos vocais e a música deixa de ser tão pesada, mas não se engane, ela continua pesada, e volta a ficar tão pesada quanto o início em vários momentos, principalmente nos solos insanos onde a dupla de guitarristas simplesmente detona. Nessa música temos a participação especial do excelente Myles Kennedy (vocalista do Alter Bridge), pena que aqui ele apenas segue Jericho em alguns momentos, tendo sua voz escondida quase que totalmente. Parece apenas que é apenas a segunda voz gravada por Chris mesmo, tanto que se não prestar muita atenção, nem vão reparar na presença de Kennedy. Dentre os destaques, a força que Jericho traz em sua voz em alguns momentos da música, os riffs insanos e principalmente o baterista Frank que eleva o nível da música. Outra coisa importante a se destacar é a letra, que fala sobre a podridão humana, de maneira excelente. Excelente abertura para o CD.

Em seguida, temos a música que mais chega perto do comercial, “Enemy”. Sabe aquele seu amigo do qual você gostava e confiava muito, e ele simplesmente muda? A música é sobre isso, perfeita para cantar pra qualquer caso de amizade decepcionante. A música é ótima, todos os instrumentos na medida certa. Aqui Jericho simplesmente detona, empolga e mostra sua ótima capacidade vocal. O clipe (o único que achei até hoje do Fozzy) é divertido e interessante, vale a pena ser conferido. A próxima é a minha favorita do CD, “Wanderlust”. Começa com um grito que lembra distantemente um gutural (bem distantemente…). Depois disso temos um excelente clima monótomo até Jericho voltar, e fazer um refrão excelente (I just can’t get away from yesterday/But I keep on living the wanderer’s way/And over and over I start anew/But I can’t escape the thoughts of you), além de ser totalmente pegajoso. Frank está novamente excelente aqui. O excelente guitarrista Zakk Wylde (Black Label Society, ex-Ozzy Osbourne) faz uma participação nessa música, fazendo um ótimo solo. A letra fala sobre a vida na estrada, que acabada deixando alguém importante para traz. Claramente é um citação a vida na estrada de Chris Jericho com a WWE.

A quarta música é a que dá título ao álbum, “All That Remains”. Depois de uma música bem na levada Heavy Metal, e duas que levam para um lado mais comercial, “All That Remains” dá uma baita de uma quebrada no ritmo do disco. Provavelmente propositalmente, a voz de Jericho aqui soa abafada e escondida. A melodia dessa música é longa e lenta, passando certa tranquilidade, tirando o refrão e o solo. E o solo com certeza é o destaque nessa música tão “morna”. Se “Wanderlust” fala de alguém que ficou para trás, “All That Remains” é sobre tudo o que ficou pra trás com a vida na estrada, e as suas consequências. O som aqui é a mais adequada para essa letra. A próxima é “The Test”. A letra fala sobre um momento de mudanças e sobre decisões importantes. No início estranhamente Jericho canta como se estivesse em alguma tentiva de fazer algumas rimas como algo parecido com um rapper. Aqui o peso do CD volta. Aqui os guitarristas mostram bom serviço, não com belos solos, e sim como uma excelente levada em toda a música, principalmente enquanto enquanto “This is only in a test” aparece. É muito dificil não se sentir um pouco robotizado e querer ficar cantando junto com essa parte.

A próxima é “It´s A Lie”. Se na música anterior, haviam alguns toques de rap em partes do vocal de Jericho, aqui temos realmente um rapper (Bone Crusher) fazendo participação especial. O resultado pode até agradar alguns, mas o resultado não saiu dos melhores. Tinhamos no início um CD de Heavy Metal e no meio uma música que parece o Limp Bizkit mais pesado. Música dispensável. A próxima é “Daze Of The Weak”. A música faz retorno do peso no CD, mas não anima muito. O refrão e as guitarras aqui até que são atrativas, mas a música é muito irregular, muito atrativa em alguns momentos, fraca em outros. Mas Frank aqui faz a música soar bem melhor. “The Way I Am” é a próxima e conta com a participação do também excelente Mark Tremonti (guitarrista do Alter Bridge, ex-Creed). Aqui temos uma música bem mais monótoma que a anterior, mas superior. Aqui Rich, Martin e Frank nos mostram que também podem fazer ótimas músicas, sendo elas mais calmas. O grande ponto da música é o solo insano de Mark Tremonti (o melhor do CD).

A próxima é “Lazarus”. A letra é provavelmente a mais triste do CD, fala sobre sofrimentos e Jericho faz uma incrível interpretação da letra. Mais um ponto positivo para ele. Seus primeiros acordes lembrar com um pouco dos tradicionais de Synyster Gates (Avenged Sevenfold), e eles se repetem em alguns momentos da música. Excelente música, novamente os intrumentais estão ótimos e nós trazem a música mais profunda do CD (talvez a melhor). A última é “Born Of Anger”, mais uma quebrada totalmente de ritmo no disco. Ela é muito pesada, com bateria insana enquanto Jericho simplesmente cospe toda a letra, até um momento que temos quase um gutural por Marty Friedman. Depois temos alguns acordes interessantes de guitarra de ótimo nível, com Jericho voltando a cantar normalmente, um solo excelente, até temos o peso de antes de volta. A música vai se acalmando aos poucos depois disso até acabar. Boa música, mas a parte mais pesada não convenceu muito.

O CD tem ótimas músicas, que realmente mostram que a banda é muito boa. Mas alguns deslizes deixam o nível do CD menor. As primeiras 4 músicas dão um ótimo nível, mas depois delas algumas coisas atrapalham. It´s A Lie poderia ter sido retirada do CD, mesmo sendo o tipo de música que os fãs de Linkin Park e Limp Bizkit possam gostar. Além disso, alguns momentos de “The Test”, “The Daze Of The Weak” e “Born Of Anger” poderiam ter sido melhorados. Outra coisa é o como algumas músicas quebraram totalmente o ritmo do CD. Mas tirando isso, temos um ótimo CD aqui, recomendado!

Nota: 75/100