Cinema: Prometheus (2012)

Gêneros: Ficção científica, terror
Diretor: Ridley Scott
Elenco principal: Noomi Repace, Michael Fassbender, Guy Pearce, Idris Elba, Charlize Theron, Logan Marshall-Green

Quando fui ao cinema assistir Prometheus, fui de última hora com alguns amigos meus, nem imaginava que se tratava de um filme que teria história antes do clássico Alien. Com isso, com certeza que minha visão sobre o filme foi definitivamente muito melhor do que os fãs que esperavam dele, afinal não tinha nenhuma grande espectativa. Na verdade, quando vi um dos seus trailers, bem ruim por na verdade, me tirou muito da curiosidade para assistí-lo. Ainda bem.

O filme começa com a descoberta de pinturas, que seriam mapas que indicariam o local de onde vem os nossos criadores. Assim, em 2092, a nave Prometheus parte da terra rumo à tal lua em um lugar bem distante no universo. Depois de “dormirem” um ano dentro da nave, acordam quando chegam ao seu destino. Assim, começam a ser apresentados os personagens. O primeiro apresentado é sem dúvida o melhor personagem, o melhor interpretado também, David. Com um trabalho impecável de Michael Fassbender, o andróide passa ao mesmo tempo a seriedade de um robô quanto dúvidas sobre suas ações misteriosas, que sempre parecem ter um fundo escondido de emoção humana junto. Até mesmo no final, quando tudo estava “resolvido”, essa dúvida se manteu.

Com um papel quase tão impressionante quanto David, Noomi Repace me surpreendeu muito com a protagonista Elizabeth Shaw. Uma personagem feminina que se mostra além do normal, está ficando saturado e até mesmo clichê, mas aqui teve algo a mais. Sinceramente, ela me interessou mais que a Ellen Ripley da saga original. Tanto nas partes de crença quanto nas mais pesadas (como o parto, nossa, o parto…), sua interpretação é excelente. Charlize Theron em 2012 parece ter agarrado o lado negro da força, sendo vilã na nova releitura da Branca de Neve e aqui como Meredith Vickers, com suas ações não muito éticas. Sua atuação também é ótima, explicando o porque ter conseguido um papel tão concorrido.

Esse é o trio de ouro do filme, porque os outros são desperdiçados. Logan Marshall-Green me surpreendeu também, teve uma bela interpretação, convenceu bem e cria certo vínculo com quem assiste, mas o desfecho non-sense de seu personagem pode apagar muito de sua performance diante dos olhos da maioria. O papel dos outros é simplesmente serem vítimas, seguindo clichês como o trabalhador honrado e salvador, o covarde, o famoso “pau no cu”, e assim vai. Sendo assim, quando acontece qualquer coisa com esses personagens, ninguém tende a se importar muito, porque não criaram vínculo com quem assiste.

A história do filme pode ser divida em suas partes: a parte científica e filosófica, e a parte do terror. No início, as questões filosóficas sobre o entendimento da criação aparece fortemente, sendo a crença, a fé, muito bem utilizadas no filme. O jeito que jogam sobre nossa criação é muito bem colocada e a maioria deve imaginar como seria se fossemos criados do modo que o filme mostra. A cena de David e Charlie Holloway sobre a criação do andróide então, é ótima. E até a base alienígena começar a ter suas reações, virando o rumo do filme, o Sy-Fy estava muito bem representado aqui. Como não sabia que tinha terror no meio, imaginei que descobririam algum alienígena e algo aconteceria, sendo apenas um breve filme de espedição. Até aparecer a gosma preta, claro, nessa hora ficou claro do que o filme se tratava. Mas até essa parte, o enredo se mostrava excelente, bem levado e com ótimas surpresas, não sendo nem um pouco previsível.

Foi assim, que o terror entrou, com seus pontos positivos e negativos. O lado ruim é que a trama se tornou bem previsível a partir daqui na maioria do tempo, perdendo as ótimas mudanças na história do início do filme. Mas que o terror apresentado aqui é excelente, não há dúvidas. Em todo momento na base Alien houve tensão, como se fosse acontecer algo a qualquer momento, mas sem aquele suspense forçado típico americano, pelo contrário, extremamente natural, sendo agrádavel. As cenas dos ataques dos monstros são todas ótimas. A primeira tem um motivo estúpido pra acontecer (coisa que falarei melhor no final), mas a cena do ataque em si é ótima. Confesso que em todas as cenas mais fortes fiquei com um “pu#$ que pariu” na mente, sendo boa parte, as melhores do filme.

Visualmente, o filme é lindo, é um espetáculo. Todos os detalhes da nave, do planeta, da base alienígena, da roupa dos personagens, tudo realmente remete ao futuro de forma fantástica. Os hologramas que aparecem muito no filme trazem muito bem essa ideia, apesar de ser apresentada de forma um pouco clichê, mas nada comprometedor. A parte da tempestade de areia é linda de se ver. Os monstros não são belos por motivos óbvios, mas são extremamente bem feitos. Talvez somente o “engenheiro” tenha me surpriendido mais. Mas definitivamente a coisa mais linda do filme foi a parte do parto, grotesca, fora da realidade, sensacional, melhor momemto do filme. Mostrou aos filmes de terror que se acham bons apenas por ter mutilação como realmente se faz.

O problema do filme é ter muitas falhas no enredo. Apesar de muito bem administrado em todo o tempo, muitas da ações do personagens é idiota e sem qualquer sentido. Você vê algo como uma naja alien, e vai passar a mão nela? Qual o sentido disso, ainda mais vindo de um dos personagens mais covardes do elenco? Só estar onde estava não fazia sentido, como com tanta tecnologia, dois personagens se perdem dentro da nave? Isso sem contar brechas na história, como David infectar Charlie, sem qualquer motivo aparente para isso. Tudo bem, se tivesse alguma resposta no filme, mas não há. O problema é que existem várias cenas assim. Isso sem falar da amizade pré-morte e do sacrifício pela pátria, clássicos clichês americanos.

O filme é muito bom, com certeza. Ridley Scott pode se orgullhar por ter levado o filme de maneira tão boa, fez um ótimo trabalho, mostrando que não esqueceu como é o terror espacial. Mas os buracos no enredo e ações idiotas vão incomodar bastante os mais exigentes. Isso não torna o filme ruim, mas tira muito da qualidade dele, tendo tantas coisas boas nele. Para quem não conhece a série Alien, ficará contente com o filme. Já os fãs da série terão uma reação bem mista. Agora o curioso é ver como será a continuação do filme, já que ao invés de conectar ao primeiro Alien, o filme parece ter continuação de si mesmo. Sinceramente, eu espero um pouco dos dois lados, tanta o primeiro Alien como a continuação de Prometheus. O problema é que dúvido muito que algo assim dê certo.

Nota: 7

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